26 setembro 2005

Relógio de sol (4)

(Évora: Sé)

Eis como tudo entra de súbito pelas palavras

«Eis como tudo entra de súbito pelas palavras
A terra e o mar
As mãos e as vozes
Tua guitarra povo
O teu génio
E o teu silêncio
É de súbito um sino tocado pelo vento em todas as aldeias»

(Manuel Alegre)

13 setembro 2005

Ilusão

Seixal. Foto do autor


(Seixal. Miniatura da estação do caminho de ferro)

Brancanes

Setúbal, domingo

Meu Caro Amigo

Não demorem a sua vinda aqui porque não sabem o que os espera. Brancanes é um paraíso. Tenho um terraço sobre um vale de laranjais, com uma plateia de montes em frente. S. Luís, Palmela e outros. Excede tudo, meu amigo. Há o terraço sobre a igreja de onde se domina Setúbal e todo o Sado: é deslumbrante. Depois árvores verdadeiras e não os «fac-símiles» pistóporos e eucaliptos da mata de Cascais. Obra de frades. O Convento é enorme; na casa que habito cabia um regimento, na sala em que lhe escrevo, aloja-se uma comunidade. Venham depressa. Para vir comboio às 4,30 para voltar daqui às seis horas. Bem agora o luar, e estes terraços, estes montes à noite serão de enlouquecer.

Um abraço do seu
Ex-corde

Oliveira Martins

(Carta a Henrique de Barros Gomes, escrita em Brancanes, Setúbal)

Azulejo (7)

Azulejo. Barco. Seixal. Foto do autor

(Seixal)

12 setembro 2005

As ilhas

«Navegámos para Oriente -
A longa costa
Era de um verde espesso e sonolento

Um verde imóvel sob nenhum vento
Até à branca praia cor de rosas
Tocada pelas águas transparentes

Então surgiram as ilhas luminosas
De um azul tão puro e tão violento
Que excedia o fulgor do firmamento
Navegado por garças milagrosas

E extinguiram-se em nós memória e tempo»

Sophia: As Ilhas

10 setembro 2005

Telhado

Tavira. Telhado. Foto do autor

(Tavira)

Memória (2)

«How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.»

(Bob Dylan: Blowin' in the wind. 1963)

07 setembro 2005

Memória (1)

«Ma mère m'a dit, Antoine, fais-toi couper les cheveux,
Je lui ai dit, ma mère, dans vingt ans si tu veux,
Je ne les garde pas pour me faire remarquer,
Ni parce que je trouve ça beau,
Mais parce que ça me plaît.

Oh, Yeah!»

Antoine, Élucubrations, 1966

Uma bica

Portalegre. Café Alentejano. Foto do autor

(Café Alentejano: Portalegre)